Oliveira, F. Ecologia alimentar de Syngnathus typhle, Linnaeus 1758 (Pisces, Syngnathidae) na Ria Formosa

O presente estudo pretende descrever a ecologia alimentar de Syngnathus typhle no sistema lagunar da Ria Formosa. Os indivíduos foram capturados na Ria Formosa durante o projecto "Recruitment of Sea Breams (Sparidae) and other commercially important species in the Algarve (southern Portugal)" UE-DGXIV-99/061, com quatro artes diferentes: redinha de 25 m e 50 m, arrasto de vara e Riley's pushnet. As amostras foram recolhidas, mensalmente, de Abril de 2001 a Maio de 2002. Os conteúdos do tracto digestivo de 856 indivíduos foram analisados e quantificados utilizando os métodos numérico (%Fo, frequência de ocorrência; %Cn, coeficiente em número; Nméd, número médio de presas) e gravimétrico (%Cp, coeficiente em peso) e alguns índices e medidas complementares (C.V., coeficiente de vacuidade; I.R., índice de repleção). As presas preferenciais foram determinadas através de dois índices combinados: o índice alimentar de Hureau (Q) e o índice de importância relativa (I.R.I.). Paralelamente relacionaram-se a área máxima da boca e o comprimento total do corpo, e o comprimento total da presa com o comprimento total de S.typhle. A forma da boca variou entre uma elipse e um círculo quase perfeito e a relação entre área da boca e comprimento total obteve melhor ajuste ao tipo potência. A dieta dos indivíduos em análise baseou-se principalmente em pequenos camarões carídeos (Hippolytidae e Palaemonidae) e pequenos peixes (Gobiidae) e foi complementada por pequenos crustáceos (Copepoda e Mysidacea). Não se verificaram diferenças nas dietas de machos e fêmeas. Indivíduos de dimensões inferiores a 10 cm consumiram preferencialmente copépodes, indivíduos de tamanho médio alimentaram-se sobretudo de Hippolytidae e Mysidacea, enquanto que os indivíduos maiores consumiram preferencialmente Hippolytidae, Palaemonidae e Pisces. O comprimento total da presa aumentou, em geral, com o crescimento de S. typhle.