Zona A2 ( Zona do Cais Comercial-Ferragudo)

A zona A2 apresenta um substracto vasoso, e uma profundidade que varia entre o 2 e os 10 metros. É realizada neste local uma amostragem com recurso ao arrasto de vara, redinha, murejonas (armadilhas) e censos visuais.

Esta área do estuário parece ser a mais diversificada, apresentando uma maior abundância de peixes. A espécie que merece maior destaque neste local é a sardinha (Sardina pilchardus) que aparece representada por indivíduos juvenis em elevadas abundâncias e para os quais esta área parece assumir uma grande importância. Ao longo da amostragem tem sido possível observar o crescimento dos indivíduos desta espécie que começou a ser capturada no mês de Março. Este crescimento tem sido igualmente observável em juvenis de safia (Diplodus vulgaris) e de sargo (Diplodus sargus).

O charroco (Halobatrachus didactylus), típico habitante das zonas estuarinas, aparece igualmente em elevadas abundâncias representado tanto por juvenis como por indivíduos adultos o reflecte o seu estatuto de espécie residente. Igualmente as taínhas são bastante abundantes no estuário, aparecendo no entanto pouco representadas nas amostragens uma vez que têm uma elevada capacidade de fuga às artes utilizadas, sendo observadas frequentemente a saltar por cima da redinha.

Para as diferentes espécies de “peixes-chatos” (cartas, linguados, solhas) capturados este parece ser o local mais a montante em que ocorrem em quantidades significativas.

Com recurso às murejonas tem sido possível capturar maioritariamente bodiões (Symphodus bailloni, Symphodus roissali, Symphodus melops), e juvenis de safia (Diplodus vulgaris), sargo bicudo (Diplodus puntazzo), sargo (Diplodus sargus) e sargo veado (Diplodus cervinus).

Os censos visuais são realizados sobre um naufrágio, o que permite não só verificar as espécies associadas às áreas arqueológicas mas igualmente, a importância que estas áreas têm na diversificação da comunidade. Assim é possível observar a ocorrência de espécies que não estariam presentes na ausência do naufrágio e das quais se destacam o safio (Conger conger) a garoupa (Serranus hepatus) e diversas espécies de cabozes (Gobius xanthocephalus, Gobius niger). Igualmente em considerável abundância ocorrem espécies de crustáceos com elevado valor comercial, como a santola (Maja squinado) a navalheira (Necora puber) e ocasionalmente o lavagante (Homarus gammarus) e as bruxinhas (Scyllarus arctus). O polvo (Octopus vulgaris) parece igualmente utilizar estes destroços como habitação.

 
retroceder à página anterior . retroceder à página principal