Caracterização da pesca
recreativa de costa do sul e sudoeste de Portugal - FCT
A caracterização da PRC foi
efectuada mensamente entre entre Julho de 2006 e Julho de 2007,
numa extensão de linha de costa de 250 Km, entre as localidades
de Vila Real de Santo António e Sines. Para a recolha de dados
foram utilizados três métodos de amostragem complementares:
campanhas nos locais de pesca, diários de pesca e contagens
aéreas de pescadores.
No total foram realizados 1321
questionários, dos quais foram obtidas informações acerca de
1321 acções de pesca, e informação socioeconómica correspondente
a 1201 pescadores. Foram também realizadas 24 campanhas de
contagens aéreas de pescadores e distribuídos 256 diários de
pesca. As taxas de resposta foram muito elevadas (~95%) nas
campanhas aos locais de pesca, mas muito baixas nos diários de
pesca (~7%).
O pescador recreativo (tipo) da
costa do sul de Portugal é um indivíduo do sexo masculino,
casado, activo profissionalmente, de meia-idade, com um baixo
grau de escolaridade, e com um rendimento médio mensal de
500-1000€. Tem uma experiência média de pesca de 23 anos e é
geralmente residente numa das regiões do estudo (Algarve ou
Alentejo). A maioria pesca durante todo o ano, numa média de 65
dias/ano, e não tem preferência quanto ao dia da semana ou ao
período do dia. Em média, cada pescador gasta 13,2€ por saída de
pesca, e cerca de 865€ por ano, nos items contemplados neste
estudo (transportes, isco e equipamento). No total, estimou-se
terem sido gastos aproximadamente 2,2 Milhões de Euros nestes
três items, durante o período do estudo e para a área em causa.
Numa saída de pesca típica no sul
de Portugal, os pescadores pescam sozinhos, em falésias, com
apenas uma cana de pesca, e praticando a modalidade de pesca ao
fundo. A maioria utiliza apenas um isco, geralmente minhoca ou
casulo, e dirige a sua pesca ao sargo-legítimo. As capturas são
geralmente para consumo próprio, existindo ainda muito poucos
praticantes da prática de captura e devolução.
A maioria dos entrevistados (71%)
afirmou ter conhecimento da nova legislação em vigor, apesar de
53% discordarem com a generalidade dos aspectos aí presentes.
Apenas 7% assumiram não ter licença de pesca recreativa.
Entre Agosto de 2006 e Julho de
2007, o esforço de pesca total estimado foi de 705 235 horas de
pesca, correspondentes a 166 430 saídas de pesca, com uma
duração média de 4,7 horas. Foram inventariadas 48 espécies de
peixes ósseos, pertencentes a 22 famílias. A família Sparidae
foi a mais importante, representada por 16 espécies de peixes,
que constituíram 78% das capturas totais em número, e 75% em
peso. As espécies mais capturadas foram o sargo-legítimo
Diplodus sargus (44%), safia Diplodus vulgaris (14%) e boga
Boops boops (8%). Com base nestes resultados, estimou-se terem
sido capturadas cerca de 160 toneladas de peixes (788 048 ind.),
das quais apenas 147 toneladas (589 132 ind.) foram retidas (não
rejeitadas).
Em termos gerais, as capturas
(excluíndo rejeições) da pesca recreativa de costa apenas
representaram 0,5% dos desembarques oficiais da pesca comercial,
relativamente às espécies em comum. Entre as espécies mais
importantes, apenas no sargo-legítimo, peixe-porco, e baila, as
capturas estimadas apresentaram algum relevo, comparativamente
aos desembarques registados na pesca comercial, apesar de em
nenhum caso as capturas recreativas terem superado os
desembarques comerciais.
Os valores apresentados
representam as primeiras estimativas para caracterizar a pesca
de costa no sul de Portugal, e poderão servir como situação de
referência para futuros trabalhos; assim como uma ferramenta de
suporte para as actuais medidas de gestão e possíveis ajustes na
legislação. No entanto,importa referir que esta informação se
refere apenas a uma área e período em particular (12 meses), e
como tal não tem em conta a variação interanual, a qual poderá
ter alguma relevância, sobretudo se se tiver em consideração o
facto do estudo ter decorrido numa fase de transição entre dois
quadros regulamentares.